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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

13: O Blur além do Britpop

Blur - 13 (1999)






A palavra "blur" significa borrão, mancha, sombrear; mas somente com o lançamento do seu sexto álbum de estúdio, denominado 13, a banda inglesa que adotara este nome e praticamente inventara o gênero Britpop nos anos noventa iria encontrar um som que poderia ser definido por tal termo.
O característico Britpop fora deixado para trás quando o Blur apresentou ao mundo seu álbum homônimo, em 1997. Agora eles eram uma banda que seguia o caminho do experimentalismo e buscava por uma reinvenção, movendo-se para um território musical mais denso e cerebral. Muito desta mudança sonora vem da influência do produtor William Orbit, conhecido por sua impagável world music.
O fim do relacionamento entre o vocalista Damon Albarn e a vocalista do Elastica Justine Frischmann também serviu por determinar a temática abordada em 13: este é um álbum sobre decepções amorosas, relações sociais e estilos de vida, o que pode ser notado em linhas como "eu preciso parar de fumar", em Caramel, ou "seus ouvidos estão cheios, mas você está vazio", em Coffee & TV, cujo videoclipe, que narra a saga de uma caixinha de leite procurando pelo guitarrista desaparecido Graham Coxon, consolidou o Blur como banda cult nos EUA.
13 abre com uma balada country transparentemente emocional embalada por um coral gospel. Tender reflete o estado de espírito de Albarn neste período: abalado afetivamente mas ainda assim disposto à superação.
A parede impenetrável de som de baixa qualidade do hit Song 2, uma das canções mais conhecidas da banda nesta época, reaparece na enérgica e psicodélica Bugman.
1992 foi composta quando a banda ainda era praticamente desconhecida fora da Inglaterra. O vocalista Damon Albarn havia perdido a fita demo e reencontrou-a durante as sessões de gravação de 13.
Battle, uma canção mutante e adocicada, e Caramel, uma paisagem sonora ornada por uma belíssima melodia em órgão, são duas inacreditáveis excursões do Blur ao experimentalismo cósmico de bandas de Krautrock dos anos 70. Trailerpark, por sua vez, é construída sobre um riff de teclado que remete ao blues.
Trimm Trabb é uma canção sobre consumismo que evolui de uma melodia simplista à vocais processados e à uma sonoridade fragmentada de forma súbita.
No Distance Left to Run é uma despedida: Albarn se despede de uma relação e o Blur se despede da sua reputação de banda adolescente de maturidade precoce conhecida por hinos do rock.
.Coesão e consistência são palavras-chave para a definição de 13, um álbum que representa um passo gigantesco além de qualquer expectativa acerca do Blur. Neste álbum a banda inglesa atesta seu rompimento com o pop usual, adentrando um domínio onde as guitarras são distorcidas a ponto de não soarem como guitarras.



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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Viva la Vida or Death and All His Friends: Uma nova direção para o Coldplay

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends (2008)



Em 2005, o Coldplay lançou X&Y, álbum que recebeu críticas diversificadas e gerou o comentário de que a banda estaria refletindo os efeitos da superexposição na qualidade das suas composições. X&Y foi definido pela Pitchfork como "agradável , mas não memorável", afirmação válida quando se tem em mãos um trabalho que soa como uma regressão em relação aos predecessores.
Três anos depois, a banda voltaria a ser aclamada pelo lançamento de Viva la Vida or Death and All His Friends, um álbum que se tornou o marco de uma profunda mudança sonora e estética no trabalho do quarteto inglês liderado por Chris Martin.
A influência da música e da cultura geral dos países hispânicos, o envolvimento dos consagrados Markus Dravs, que trabalhara com artistas como Björk e Arcade Fire anteriormente, e Brian Eno, conhecido pela habilidade magistral para compôr música ambiente, deram resultado ao álbum que levaria o Coldplay a uma direção diferente daquela que o grupo estava seguindo desde Parachutes (2000).
Viva la Vida or Death and All His Friends é um álbum épico sobre amor, paz, guerra e liberdade, o que refletiu na escolha do quadro "Liberdade Guiando o Povo", do pintor francês Eugène Delacroix, como ilustração da capa. O quadro "Viva la Vida", da mexicana Frida Kahlo, serviu como inspiração para o nome do quarto álbum de estúdio do Coldplay.
A música ambiental de Brian Eno aparece logo na introdução. Life in Technicolor é uma ensolarada faixa instrumental que consiste basicamente em uma melodia tocada em Yangqin, um instrumento originalmente do  Oriente Médio que se tornou essencial na música tradicional chinesa.
Uma Londres medieval, sombria e seguidora de uma religião fundamentada em mitos é descrita em Cemeteries of London, canção fortemente influenciada pela música folclórica espanhola.
Lost é uma balada motivante tocada em órgão de igreja e ornada de forma exótica por ritmos tribais e palmas. A letra foi definida pela BBC como sendo uma mistura de insegurança e determinação, o que é frequente nas composições de Chris Martin.
Fugindo da característica estrutura das canções do Coldplay, 42 é uma faixa sem refrão dividida em três seções diferentes que evolui de uma sonoridade simplista à puro êxtase.
Em Lovers in Japan, o Coldplay flerta com a característica música de estádio do U2, obviamente por influência do produtor Brian Eno. A musicalidade ambiental típica de Brian aparece também em Reign of Love.
Se Yes é uma visita à sonoridade oblíqua do Velvet Underground em Venus in Furs, as guitarras reverberantes e os vocais minimalistas de Chinese Sleep Chant soam como um cortejo ao experimentalismo de bandas como Sonic Youth e My Blood Valentine no início dos anos 90.
Viva la Vida é uma faixa geralmente interpretada de formas divergentes, repleta de referências bíblicas e históricas. Aqui, Chris Martin aparentemente assume a figura de um monarca paranoico deposto do trono. 
O videoclipe de Viva la Vida se tornou o mais visto da história do Youtube, com mais de 50 milhões de reproduções no mundo todo. Uma segunda versão também foi lançada junto com esta primeira, na qual o "rei"  Chris Martin aparece carregando o quadro "A Liberdade Guiando o Povo" através da Inglaterra como em uma peregrinação, usando a ideia do videoclipe de Enjoy The Silence do Depeche Mode.
Violet Hill é considerada como sendo a primeira canção com uma temática anti-guerra do Coldplay. O ritmo quase militar da faixa reforça esta ideia. O nome Violet Hill foi tomado de uma rua londrina próxima à Abbey Road, conhecida por ser um lugar de culto ao Beatles.
Strawberry Swing é uma canção iluminada com ritmos psicodélicos e ornada por uma pungente sinfonia. O videoclipe gravado em stop motion confere a estética artística adotada pela banda em Viva la Vida or Death and All His Friends.
A faixa de encerramento soa como um extasiante hino de renúncia à guerra. Death and All His Friends tem forte potencial para balançar (e emocionar) estádios assim como City of Blinding Lights, do U2.
O quarto álbum do Coldplay se tornou o mais vendido no ano de seu lançamento e foi o ganhador de um Grammy Award na categoria Melhor Álbum de Rock de 2008, o que soa como superficial quando o que temos aqui é uma banda mudando bruscamente de uma sonoridade já característica para algo totalmente diferenciado em termos de abordagem, ritmo e timbres vocais.
Alguns meses depois o álbum foi relançado junto com o EP Prospekt's March, que trazia uma versão estendida e com vocais de Life In Technicolor. A canção foi lançada como single.
Viva la Vida or Death and All His Friends é, como o título sugere, uma exaltação à vida, exalando otimismo por todos os poros. Um álbum fortemente impressivo e definitivo para a história do Coldplay.





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domingo, 21 de agosto de 2011

XX: Simplesmente sensações

The XX - XX (2009)



O aclamado álbum de estréia dos XX perdura como um enigma sem solução: ao mesmo tempo em que os quatro jovens membros da banda nos mantém imersos em uma atmosfera cinzenta por quase quarenta minutos, somos introduzidos à uma música livre de claustrofobia, com sonoridade dispersa e minimalista, mas nunca depressiva. 
A simplicidade pop e a intimidade discreta de cada uma das faixas de XX fez com que a banda fosse classificada instantaneamente como uma das revelações recentes mais importantes da história da música do Reino Unido, fato semelhante ao ocorrido com o Oasis em meados dos anos 90. Mas ao invés da proposta de revitalização da idolatria à música britânica, The XX tem como intuito apenas despertar sensações, .sem jamais assumir a posição de deuses da revolução musical. É como se os quatro membros da banda estivessem envolvidos por uma mesma aura e compartilhando confidências.
A faixa de introdução do álbum homônimo do The XX se tornou trilha sonora de várias séries televisivas, sendo também utilizada com frequência pela NBC durante a cobertura das Olimpíadas de Inverno de 2010.
VCR soa como uma canção de ninar construída sobre uma melodia repetitiva tocada em xilofone. Lançada como quarto single de XX, traz como b-side a excelente Insects, faixa com forte influência do post-punk dos anos 80.
Crystalised tornou-se a canção mais divulgada e, consequentemente, conhecida da banda ao ser lançada como primeiro single do álbum. As guitarras lânguidas e o sintetizador usado em dosagem correta tornam Crystalised uma canção estática e sinuosa ao mesmo tempo. É notável a regravação feita pelos membros do Gorillaz, na qual a belíssima canção torna-se ainda mais constante na voz de Damon Albarn, o eterno Blur.
Em outubro de 2010, a cantora colombiana Shakira lançaria Sale El Sol, um álbum de música pop bem sucedido comercialmente que trazia uma versão inusitada de Islands, uma das melhores faixas dos XX. A canção subiu da posição 39 para a 34 no Top 40 do Reino Unido depois da indicação ao Mercury Music Prize recebida pela banda neste mesmo ano.
Depois da ingênua Heart Skipped a Beat, entramos na atmosfera embriagante de Fantasy, com seus ecos cavernosos, seguida de Shelter, cover da inglesa Birdy.
O único deslize dos XX na divulgação do seu álbum de estréia foi a escolha de Basic Space, uma faixa tediosa focada na percussão, para ser lançada como segundo single.
Infinity é uma canção sensual, hermética e inconstante que foge da sonoridade repetitiva de algumas canções de XX. Uma faixa de pop furtivo perfeita para uma banda iniciante.
Apesar de nunca soar depressivo, XX certamente não foi produzido para ser ouvido em uma dia ensolarado. Os nomes da últimas duas faixas do álbum reforçam esta ideia (Nighttime e Stars).
XX soa quase como um álbum conceitual: sempre coesivo. A sonoridade da banda é fria, mas não deixa de ser aconchegante. Pouco depois do lançamento do álbum, a guitarrista e tecladista Baria Qureshi deixou o grupo, que afirmou que esta não viria a ser substituída, o que veio a gerar inúmeras especulações acerca do futuro do The XX. 
Mesmo antes da estréia da banda, a revista NME havia classificado-a como uma das bandas mais promissoras da Inglaterra. Resta esperar se este é um álbum único ou o primeiro de uma carreira brilhante.


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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

The Bends: O Radiohead pós-Creep

Radiohead - The Bends (1995)


Em 93 o Radiohead havia lançado Pablo Honey, um álbum sem muitos atrativos, diga-se de passagem, além de Creep. Inicialmente ignorada pelo público, a canção, que já foi regravada por dezenas de artistas renomados, levaria a banda ao mainstream quando relançada alguns meses depois. Depois da "experiência miserável" de uma turnê para divulgação do álbum, registrada em DVD com o nome Radiohead Live at the Astoria, o grupo sentiu a necessidade de iniciar um novo trabalho e livrar-se da pressão gerada pelo sucesso do single.
Em The Bends a sonoridade densa criada por três guitarras, hoje uma característica emblemática desta fase da banda, se tornaria a base sobre a qual letras com uma temática mais política e global, diferentes das abordagens mais pessoais de Pablo Honey, seriam construídas.
The Bends também foi o ponto onde a banda mudou esteticamente. A psicodelia da capa do álbum de estréia deu lugar a uma imagem quase abstrata. A ideia da fusão de um boneco usado em lições de medicina com o rosto de Thom Yorke surgiu em último instante e a produção ficou a cargo do artista gráfico Stanley Donwood, que desde então veio a produzir todas as capas da banda ao lado do vocalista.
Meses antes do lançamento do álbum, a banda lançou o EP My Iron Lung, que trazia a faixa de mesmo nome. My Iron Lung, uma faixa irônica que usa a expressão "pulmão de ferro" como metáfora para a canção que trouxe o Radiohead à mídia, resultou na comparação com bandas grunge como o Nirvana devido ao peso. A música apareceria mais tarde em The Bends.
A atmosfera criada por teclado na faixa de abertura do álbum é uma prévia do trabalho posterior da banda. Planet Telex foi a única canção escrita durante a gravação de The Bends e miticamente foi gravada com Thom Yorke cantando deitado no chão e bêbado depois dos membros da banda terem retornado de um bar.  Foi lançada como single duplo junto à High & Dry, que havia sido gravada antes do lançamento de Pablo Honey
A faixa título de The Bends é uma clara referência à depressão enfrentada pelo vocalista nesta época. Mas a canção responsável pela atribuição do termo "depressiva" ao Radiohead foi, indubitavelmente, Fake Plastic Trees, uma música sobre a terrível sensação de fazer parte de uma sociedade repleta de artificialidade.
Se Bones é um cortejo ao movimento grunge, Just caberia perfeitamente no álbum de estréia da banda de britpop Oasis, que havia sido lançado um ano antes. Clipes inteligentes como o de Just passariam a ser uma das características mais notáveis da banda a partir deste ponto. 
(Nice Dream) é uma canção na qual Thom exprime sua visão negativa sobre o relacionamento com as pessoas ao seu redor. Uma prévia do que seria No Surprises, lançada dois anos mais tarde no álbum Ok Computer.
Após a hermética Bullet Proof...I Wish I Was, mais uma faixa que denota a corrente depressão de Thom, chegamos à Black Star, uma canção com uma abordagem tão pessoal quanto as de Pablo Honey. 
Uma das faixas mais admiráveis do Radiohead é Street Spirit (Fade Out), que encerra The Bends logo após a descartável Sulk. Street Spirit, lançada como single, viria a atingir a posição mais alta nas paradas musicais até então em relação às canções anteriores da banda. O videoclipe sombrio e cheio de experimentações com técnicas de gravação de vídeo contribui muito na crescente popularidade da banda.
Apenas depois do lançamento de Ok Computer (1997) o Radiohead passaria a ser visto como uma das maiores bandas de todos os tempos, o que não impediu que The Bends viesse a aparecer, em 2006, na lista dos 50 Álbuns Que Mudaram a Música. Thom Yorke popularizou o uso da voz em falsete, servindo como referencia à muitas bandas nos anos 2000, como por exemplo o Coldplay.  A revista Melody Marker publicou um artigo no qual Thom   era definido como um novo mártir do rock com tendências suicidas, assim com Kurt Cobain ou Ian Curtis. Um equívoco, felizmente.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

Parachutes: Surge o Coldplay

Coldplay - Parachutes (2000)



O Coldplay acertou em cheio ao escolher Yellow como música promocional de Parachutes. Não há nada de especial na letra da canção além da inocência de uma banda emergente e do romantismo ingênuo de Chris Martin, mas o impacto emocional causado pela melodia  inconstante e hipnótica da música é instantâneo.
Talvez esta seja a razão de Yellow ter levado a banda ao topo do rock britânico, que na última década havia pertencido ao Oasis e ao Radiohead. Anteriormente, o Coldplay havia lançado três EPs sem obter repercussão, até que o produtor musical Ken Nelson percebeu que a banda tinha algo especial. 
Don't Panic, faixa de abertura de Parachutes, traz uma letra contraditória. Apesar do refrão "nós vivemos num mundo lindo", a música faz referências à fuga e à decadência social.  Foi lançada como quarto single em alguns países da Europa.
Não. Shiver não é apenas influenciada pelo trabalho de Jeff Buckley. Como o próprio Chris Martin admitiria mais tarde Shiver é "uma tentativa (descarada, diga-se de passagem) de fazer algo como Jeff Buckley". E basta o vocalista entrar na linha "did you want me to change" para confirmarmos tal declaração. A canção ainda é uma das preferidas pelo público em performances ao vivo. Descontraída e iluminada, teve uma boa repercussão nas paradas musicais do ano.
Spies traz uma mensagem semelhante à de Don't Panic. É uma canção sobre ter de estar fugindo o tempo todo com a sensação de estar sendo observado. A atmosfera criada pelas distorções na guitarra fazem de Spies o momento mais sombrio de Parachutes. 
Sparks é absolutamente entediante. Ainda assim, a voz sem muito ornamento e quase sussurrada de Chris Martin torna-a adorável.
Talvez tenha sido por causa de Trouble que o termo piano rock tenha sido atribuído de imediato à banda iniciante. A letra sobre estar magoando alguém que se gosta muito aliada a melodia quase minimalista da canção é sublime. Trouble foi lançado como terceiro single do álbum e alcançou a posição de número dez nas paradas musicais do Reino Unido.
Depois da faixa título, um curto interlúdio, entramos na atmosfera de mais uma canção sobre fuga: High Speed, seguida de We Never Change, com suas belíssimas mudanças de tempo. 
Com um riff de guitarra impecável, Everything's Not Lost caberia perfeitamente como faixa de encerramento de Parachutes, o que fica a cargo de Life is for Living, mais uma faixa na qual Chris se desculpa por te errado.
O vocalista do Coldplay já declarou sentir uma certa aversão em relação à Parachutes, mas o álbum foi devidamente reconhecido, ganhando um Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa em 2002 e um Brit Award de Melhor Álbum Britânico de 2001. Na lista dos mais vendidos no Reino Unido do Século 21, Parachutes aparece em 12º lugar. 
Admirável para uma banda com "algo especial".




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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Kid A: Um eco dos anos 2000

Radiohead - Kid A (2000)




Para livrar-se da pressão exercida pelo público que esperava ansiosamente pelo sucessor do histórico Ok Computer (1997), o Radiohead resolveu lançar um EP na tentativa de acalmar os nervos dos fãs e da crítica.
Airbag/How am I driving? (1998), que trazia B-sides do lançamento recente, serviu apenas para aumentar as especulações acerca de um novo álbum.
Quando Kid A finalmente veio ao público, as reações foram diversas: enquanto alguns imploravam pela volta das guitarras nas músicas da banda, outros consideraram o álbum imediatamente como revolucionário e definitivo na história da música.
A ideia de focar prioritariamente nas texturas sonoras não é inovadora: nos anos 90, DJ Shadow havia lançado um álbum basicamente instrumental e inteiramente sampleado. Os gigantes do U2 também fizeram história ao expressar o conceito de Pós-Modernismo no altamente experimental Achtung Baby (1991).
Kid A mudou o conceito de que o Radiohead era uma banda fadada a hinos do rock. Diferente dos trabalhos anteriores do grupo, este álbum é minimalista e abstrato, influência da música ouvida pelos membros da banda neste período: o krautrok alemão, IDM (música inteligente para dançar), jazz e música clássica do século 20.
Apesar de não ter dado origem à single ou videoclipe, Kid A ganhou um Grammy na categoria Melhor Álbum Alternativo e foi nomeado na categoria Álbum do Ano. Na lista dos melhores álbuns da década feita pela revista Rolling Stone, o álbum aparece em primeiro lugar.
Everything in Its Right Place é ainda citado por Thom Yorke como single principal, apesar deste não ter sido lançado fisicamente. Nas primeiras notas de piano elétrico processado por programas de computador a banda já deixa clara a proposta deste novo trabalho: Kid A não é um álbum convencional. Soa como se o Radiohead estivesse ironizando sobre o apocalipse. Os responsáveis pela produção de Vanilla sky, filme cult de thriller psicológico lançado em 2001, entenderam a mensagem da banda: Everything in Its Right Place aparece como parte da trilha sonora e pouco antes de uma cena chocante de acidente de carro o protagonista pergunta à acompanhante, enquanto escolhe uma música: "Radiohead?".
A faixa título, cheia de experimentalismo, inicia como sendo uma canção de ninar. O uso das Ondas Martenot, equipamento para distorção de voz criado no final do século 20 faz de Kid A o trabalho mais singular do Radiohead até então.
Em The National Anthem, lembramos que na banda ainda existe um baixista. Depois do surrealismo meditativo de Everything in Its Right Place e Kid A, entramos na faixa mais pesada do álbum. A sonoridade caótica criada por metais faz desta faixa algo complemente imprescindível em um álbum com uma proposta inovadora como este.
Thom York já se referiu à How to Disappear Completely como sendo a melhor composição do Radiohead. A mensagem niilista da música reflete o estado de espírito do vocalista nesta época: "Eu não estou aqui. Isto não está acontecendo". Os arranjos de cordas e metais aliados à letra quase perturbadora fazem de How to Disappear Completely superiormente depressiva em relação à No Surprises.
Depois de um interlúdio que remete à bandas experimentais de música eletrônica como a alemã Tangerine Dream, Optimistic faz uma análise social com uma visão absolutamente negativa: "Os peixes maiores comem os pequenos".
Em In Limbo, entramos em um uma atmosfera cheia de murmúrios sobre estar perdido. É a faixa mais indigerível para os que esperavam algo que seguisse o conceito musical característico da banda em Kid A.
Idioteque é imediatamente impactante. Com samples de Mild und Liese e Short Piece, músicas feitas de modo experimental em computador nos anos 70 por Paul Lansky e Arthur Kreiger, respectivamente, a faixa faz referências à guerras, mudanças climáticas e do impacto da era da tecnologia.
Depois de todas as reflexões sobre o caos num mundo em um início de milênio, entramos em uma faixa definitivamente triste. Motion Picture Soundtrack, que foi escrita logo depois de Creep(1992)aborda não só o termo "pós-modernidade", mas também faz referência à uma possível segunda chance. É impossível não se emocionar com as últimas palavras de Thom Yorke em Kid A: "Eu verei você na próxima vida".
Kid A foi uma mudança de rumo para o Radiohead. A partir daqui, muito do trabalho da banda seria descrito como experimental. As canções que ficaram fora do álbum seriam lançadas no ano seguinte em Amnesiac
O Radiohead conseguiu captar a sensação de estar entrando no desconhecido de uma forma jamais vista e Kid A não tardou muito a ser usado como referência na música minimalista e experimental, tendo aparecido na maior parte das listas de melhores álbuns dos anos 2000. Absolutamente indispensável.




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domingo, 24 de julho de 2011

A curta, porém notável, carreira de Amy Winehouse

Amy Winehouse: Surge uma voz 



O flerte de Amy Winehouse com a música começou ainda na infância. Em uma localidade ao norte de Londres, Amy Winehouse cresceu ouvindo Madonna e, por influência do pai, tinha como ídolo o cantor de jazz e blues Frank Sinatra. Aos dez anos de idade, ela passaria a fazer parte de um grupo de rap que existiu por pouco tempo chamado Sweet ‘n’ Sour. Mas seria aos vinte anos de idade que o talento de Amy Winehouse seria reconhecido, tornando-a de imediato um ídolo de culto dos anos 2000.
Primeiramente, o impacto visual: maquiagem pesada, tatuagens e um penteado remetendo ao início da década de 60 voltaram à moda por influência do estilo da cantora.






Frank (2003)





Intitulado Frank, o primeiro álbum da cantora obviamente ganhou este nome devido à sua admiração por Frank Sinatra, apesar da especulação de que a escolha do título tenha a ver  com o cachorro de Amy, este também chamado Frank. De uma honestidade brutal, o álbum, que traz uma deliciosa fusão de jazz, blues e soul, foi indicado à dois Brit Awards e a um Mercury Music Prize e rendeu à Amy um Ivo Novello Award na categoria Melhor Música Contemporânea por Stronger Than Me, primeiro single do álbum. 
Stronger Than Me traz uma postura feminina crítica e irônica em relação ao universo masculino. Nesta faixa Amy reclama sobre ter de estar tomando o controle o tempo todo em uma relação amorosa. A faixa ganhou destaque principalmente nas paradas musicais da Inglaterra.
Em You Sent Me Flying a cantora apresenta pensamentos contraditórios: "Embora o meu orgulho não seja fácil de perturbar, você conseguiu me derrubar quando me chutou pra escanteio": diz uma Amy apaixonada, mas ainda assim dona de um ego inabalável.
Cherry é como uma segunda parte de You Sent Me Flying. Desta vez, porém, o ego torna-se uma pílula de sarcasmo: "agora tenho uma nova melhor amiga, com uma bagagem que envergonharia você. Cherry é o nome dela" canta Amy referindo-se ao seu...novo violão! Impiedosamente genial!
A próxima faixa, Fuck Me Pumps é igualmente sarcástica. No entanto, agora o alvo das alfinetadas são as mulheres que fingem moralidade.
I Heard Love is Blind é uma faixa ambígua sobre traição. É quase impossível decifrar se temos aqui uma canção romântica ou uma declaração irônica. Já a letra de (There´s No) Greater Love parece ter sido recortada de uma carta de amor e colada sobre uma música simples da Amy.
In My Bed traz uma sonoridade relativamente exótica, contendo samples da música Made You Look do rapper americano Nas. Um dos melhores momentos de Frank.
Take the Box é igualmente fascinante. Nesta faixa, a cantora, usando ao máximo sua habilidade narrativa, se despede de um relacionamento.
Em Help Yourself, a Amy sarcástica mostra-se complacente com os erros masculinos: "Eu não posso te ajudar se você não se ajudar", diz ela como querendo compreender a mente dos homens.
Amy, Amy, Amy é uma faixa um tanto quanto filosófica acerca do próprio trabalho da cantora: "Abusando da energia criativa todas minhas letras ficam inutilizáveis". Mais uma vez a sinceridade escancarada de Amy chega a chocar.
A consagração de Amy Winehouse viria três anos mais tarde com Back to Black, mas certamente Frank, um álbum cheio de inspiração, ainda há de influenciar muito na música contemporânea.





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Back To Black (2006)




É impossível não deixar-se ser seduzido pela capacidade de Amy Winehouse de misturar estilos musicais com história já consolidada e ainda assim surpreender pela originalidade.
Back To Black está mais orientado para o pop quando comparado à Frank, mas as raízes de Amy continuam ali, intactas. O álbum consagrou a cantora imediatamente como dona de uma das vozes mais imponentes de todos os tempos, obtendo uma visibilidade assustadora fora da Inglaterra e ganhando um Grammy na categoria Melhor Álbum de Pop Vocal. Também foi indicado a um Grammy na categoria Melhor Álbum do Ano e ao Mercury Music Prize. No ranking dos 100 Melhores Álbuns da Década 2000-2009 pela Rolling Stone, Back To Black aparece em vigésimo lugar.
Rehab, primeiro single e faixa de abertura do ábum, é uma balada soul nada convencional sobre negar-se a ir para a reabilitação. Altamente biográfica, ganhou em três (!!!) categorias do Grammy Award: Gravação do Ano, Som do Ano e Melhor Performance Pop de Vocalista Feminina. A letra serviria por definir exatamente a imagem passada por Amy neste período: "É, eu estive meio caída, mas quando eu voltar vocês vão saber...". A exposição da vida particular da cantora aumentara com o sucesso e o uso abusivo de drogas tornara-se conhecido pelo público. Agora ela era conhecida não só pelo talento, mas também pelas atitudes polêmicas, o que inclui gafes em cima do palco devido ao consumo de álcool e agressões. 
Em You Know I'm Not Good, Amy recorre a um tema já abordado em Frank: a traição. A faixa traz um dos melhores momentos da carreira de Amy: uma atmosfera muito singular voltada ao ska criada pelos metais. Não poderia ser melhor.
Me & Mr Jones é uma faixa tipicamente romântica de Amy, trazendo nome de locais frequentados por ela em uma narrativa quase familiar.
Depois de Just Friends, mais uma faixa guiada pelo ritmo e pela harmonia do ska, chegamos a Back To Black, uma das canções mais emblemáticas de Amy Winehouse. É quase impossível imaginar a carreira de Amy sem Back To Black. O videoclipe, todo em preto e branco e mostrando cenas de um velório define a aura da canção. Aqui, Amy aparece desolada, chorando pelas perdas e pelas decepções. Esta mesma mulher que sofre conclui em Love is a Losing Game, uma de suas canções mais desoladoras: "O amor é uma aposta perdida".
Com vocais sampleados de Marvin Gaye e Tammy Terrel, dois ídolos de Amy Winehouse, Tears Dry On Their Own é uma faixa que recorre a um tema freqüente das suas composições: a despedida. Mais tarde a cantora iria experimentar a decepção mais uma vez: o polêmico relacionamento com Blake Fielder-Civil, coadjuvante dos escândalos de Amy, chegaria em breve ao fim, levando-a a depressão e a uma série de declarações que se tornariam um prato cheio aos tablóide: "Eu ainda amo o Blake e eu quero que ele se mude comigo para minha nova casa. Eu não vou deixar ele se divorciar de mim": disse ela em entrevista.
Em Wake Up, Amy mostra-se mais uma vez desolada, solitária. Já Some Unholy War é uma faixa sem ressentimentos: " Sim, meu homem está lutando em uma guerra pagã. E eu estarei ao seu lado".
Depois da faixa repleta de sentimento He Can Only Hold Her, entramos na quase insana Addicted, uma canção sobre aquilo que estava destruindo Amy Winehouse: o vício. Além das referências ao uso de drogas, Addicted é verbalmente vulgar. Polêmica, assim como a vida da cantora nesta altura.
A turnê do aclamado Back To Black foi interrompida em meados de Agosto de 2007 devido à problemas de saúde de Amy relacionados ao abuso das drogas, entre elas a cocaína, o ecstasy e a heroína. Mais tarde, iria cair na internet um vídeo que registrava um momento no qual a cantora fumava crack.
No final de 2007, saiu uma versão de luxo do álbum Back To Black, que trazia covers, demos e performances ao vivo.
O segundo álbum de Amy Winehouse fez com que o reconhecimento pelo trabalho de revitalização do jazz e do soul se tornasse aclamação pela originalidade e pela influência. Não demoraria muito para que a cantora passasse a ser usada como referência.






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Incostâncias e morte
Depois de uma série de escândalos públicos, Amy Winehouse foi, por recomendação do pai, para uma clínica de reabilitação em Santa Lúcia. No entanto, foi flagrada bêbada várias vezes pelos paparazzi. Em uma entrevista de 2010, a cantora declarou que estava livre das drogas há três anos. No ano seguinte, passaria uma semana em uma clínica de tratamento para saúde mental.
Em 23 de Julho de 2011, duas ambulâncias foram chamadas em Camden, Londres, para socorrer uma mulher aparentemente desmaiada. Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa aparentemente por uma overdose. Segundo conhecidos, a cantora havia comprado um coquetel de drogas ao deixar um pub que costumava frequentar em Londres.




Legado
Não há como não fazer comparações entre Amy Winehouse e outros grandes nomes da música que coincidentemente vieram a falecer aos 27 anos de idade. Assim como a cantora, Janis Joplin, Jim Morrison, Jimmy Hendrix e Kurt Cobain tiveram vidas conturbadas, repletas de momentos polêmicos e eram usuários de drogas pesadas.
E assim como estes artistas consagrados, a curta carreira de Amy Winehouse tornou-a um mito recente, tendo chamado atenção e ganhado a admiração do público não só pelo talento musical, mas também pela postura imponente. 
Amy Winehouse foi a maior responsável pela revolução retrô dos anos 2000, na qual artistas emergentes trazem para sua música a influência e a sonoridade de artistas dos anos 50 aos anos 80 que até então eram consideradas ultrapassadas. Ela imortalizou-se de uma forma triste, mas felizmente viveu o suficiente para compartilhar sua habilidade de transformar sentimento em música com o mundo e se tornar o maior ícone pós-anos 90. Ela é eterna.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Adele: A voz do ano

Adele - 21 (2011)

 


21 foi inspirado por uma situação semelhante à de 19 (2008): o fim de um relacionamento. Aqui, o R&B flui rapidamente ao pop, com nuances de música country e indie-rock. O título do álbum sugere uma Adele mais madura. E que maturidade! Nenhuma cantora solo, desde o furacão Amy Winehouse, havia causado tanto furor na mídia. 21 tem quebrado recordes de artistas consagrados como Madonna e (pasmem!) dos insuperáveis Beatles.
O segundo álbum da cantora inglesa é seco, sem muito glamour, sem uso de sintetizadores, o que torna o álbum incrivelmente orgânico.
O destaque vai para a faixa de abertura. Rolling in the Deep foi escrita logo após o rompimento de Adele com seu namorado, o que explica sua letra forte: "Você vai me pagar na mesma moeda e colher o que plantou" diz ela como querendo vingança. 
Rumor has it parece ter sido composta pelo Gossip. É a música mais agitada de 21, indo do pop alternativo ao soul em segundos. Então entramos em Turning Tables. Aqui, a Adele que está sofrendo reconhece que precisa deixar todas estas inconstâncias para trás. 
Este sentimento de redenção se perde em Don't you remember: "Quando vou vê-lo novamente?".  
A faixa Set Fire to the Rain tem uma levada mais pop em relação ao restante do álbum. Com uma letra que exprime certo grau de devaneio, é uma das canções mais belas da cantora, ao lado de One and Only, que traz um dos riffs de piano mais emotivos de 21. 
No ano de 1989, a banda The Cure lançou o épico Disintegration, do qual saiu o single Lovesong.
A faixa é um presente de casamento do vocalista Robert Smith à sua eterna namorada Mary Poole. Em 21, Adele faz uma uma revisita à esta eterna ode ao amor reconstruindo-a sobre uma sonoridade levemente abrasileirada. Muitos cantores equivocam-se ao regravar clássicos, no entanto, Lovesong mostra-se aqui como um dos momentos mais admiráveis da inglesa.
Se Rolling in the Deep é cercado por uma aura de vingança, Someone like You traz um sentimento oposto. Esta é uma faixa de despedida: "Não se preocupe, eu vou encontrar alguém como você.
Eu desejo nada menos que o melhor para vocês dois": diz Adele em uma das declarações mais sinceras do álbum. 
Em Hiding my Heart,a cantora faz da canção de Brandi Carlile um breve resumo de sua recente decepção. Nos últimos segundos de 21, a mulher que foi iludida e as vezes agiu equivocadamente declara: "Então eu vou passar a vida inteira escondendo meu coração. Mas eu sei que não posso passar a vida toda escondendo meu coração".
As melodias cheias de dor de 21, aliadas a uma voz poderosa, consagraram Adele de forma imediata como uma das melhores cantoras desta nova década.






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sábado, 16 de julho de 2011

The King of Limbs: Uma reação à In Rainbows

Radiohead - The King Of Limbs (2011)


Três anos após o lançamento de In Rainbows (2007), um álbum que modificou a maneira de divulgação no meio musical (você escolhia o preço pelo qual gostaria de baixá-lo no site), a banda Radiohead anunciou que estava no processo de finalização de um novo trabalho.
The King Of  Limbs não é um álbum imediato como o antecessor. Aqui, as faixas se complementam, dando continuidade uma à outra. 
O uso de meios diferenciados pela banda para a divulgação de seu trabalho não se resume à In Rainbows: The King Of Limbs foi transformado em um jornal. The Universal Sight traz poesia, letras e pequenas histórias escritas pelo artista plástico Stanley Donwood, que vem colaborando com a banda desde os anos 90, quando produziu a capa do histórico The Bends (1995).
A escolha de Lotus Flower como primeiro single pode não ter ajudado no desempenho do álbum. O videoclipe, em preto-e-branco, traz Thom Yorke fazendo uma dança que fez com que as atenções se voltassem mais para as paródias inspiradas por ele.
Bloom, a faixa de abertura, dá a impressão de ser uma meditação flutuando sobre uma textura atmosférica criada pelos sintetizadores e pela bateria num ritmo quase que militar. A letra é de um lirismo surreal que remete à Weird Fishes (In Rainbows). Apenas em Kid A (2000) e The Bends as faixas de abertura foram tão impactantes e definiram tão bem o restante do álbum quanto Bloom em The King Of Limbs.
No período pré-King Of Limbs, Thom Yorke passou uma temporada no Brasil, o que parece ter influenciado nos ritmos quase nordestinos de MornigMr.Magpie e Littlebylittle.
Feral é uma faixa instrumental que poderia se encaixar facilmente na tracklist de Kid A ou Amnesiac (2001), apesar do excesso na parte da percussão.
Remetendo à excelente piano-balada de In Rainbows Videotape, Codex é uma faixa de um minimalismo por vezes dolorido. Após a parte cantada, sobre um mesmo riff de piano, os sintetizador dão à Codex um final magistral, novamente trazendo à tona a atmosfera de Kid A.
Nesta mesma linha de sonoridades simples e minimalistas entramos em Give Up The Ghost, uma faixa com ar de complemento à Codex. Igualmente fascinante.
A faixa de encerramento do álbum traz, mais uma vez, a sensação de que nada é imediato. Separator vai crescendo num ritmo que nos prende. Há uma parte da letra no qual Thom Yorke diz: "se você pensa que acabou, está muito enganado". Um aviso de que teria mais alguma novidade em breve: dois meses após o lançamento de King Of Limbs, a banda liberou um EP com duas faixas inéditas. 
O oitavo álbum do Radiohead é o mais curto dentre todos os outros, com pouco mais de meia hora de duração. Porém, basta ouvi-lo para perceber que a duração não tem relação alguma com desgaste na força de criação ou inovação por parte da banda. 
Com certeza um dos melhores de 2011.








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sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Rush of Blood to the Head

Coldplay - A Rush of Blood to the Head (2002)


Uma semana depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001, a banda Coldplay voltou ao estúdio e começou a trabalhar em A Rush of Blood to the Head. O nome do álbum reflete seu espírito: remete as decisões/atitudes tomadas equivocadamente. 
A primeira faixa a ser gravada para este novo trabalho, In My Place fala sobre o estado da banda à esta altura: um período no qual não se sabe para onde está indo. A capa, talvez uma das mais emblemáticas da primeira década dos anos 2000, é resultado de um erro de escaneamento.
Politik, primeira faixa de A Rush of Blood to the Head, traz uma urgência característica do restante do álbum. The Cientist, uma balada de piano sobre desculpa, tornou-se imediatamente clássica, e seu videoclipe, uma narração reversa, ganhou três MTV Music Awards. A exposição midiática de Clocks também contribuiu para o sucesso do álbum. A faixa, construída em cima de um riff de piano que cria uma atmosfera quase que minimalista, foi usada como trilha para vários filmes, comerciais e programas de TV.
Green Eyes remete à Yellow. Uma faixa sobre amor, típica do Coldplay
Devido à recomendação de Ian Mcculloch, vocalista do Echo & the Bunnymen, a banda resolveu acrescentar ao álbum uma faixa em ritmo 1-2-3. Segundo Ian, a audição poderia tornar-se difícil na ausência de uma faixa mais agitada.
A música-título do álbum é de uma urgência por vezes dolorida. A letra, que traz todo aquele sentimento já comentado sobre "agir de forma equivocada", é um dos melhores trabalhos da banda: "..vou comprar uma arma e começar uma guerra, se você puder me dizer algo pelo qual valha a pena lutar."
Não à toa, A Rush of Blood to the Head foi incluído na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos da conceituada revista Rolling Stone.